20 de Setembro de 2017
Opinião
Carlos Leite
Melhores cidades, maior qualidade de vida

Abriu ontem, primeiro de Maio, a Expo 2010, com o tema melhores cidades, maior qualidade de vida. Uma ode à arquitectura com pavilhões arrojados e o planeamento que dispõe os mesmos, promete tornar-se um hino à sustentabilidade urbana, é a vontade até da China de discutir ideias que contribuam para um mundo melhor.

As exposições mundiais são uma forma perene de inventar o futuro, e neste aspecto deveriam servir de exemplo ao planeamento urbano nas formas como o mesmo se vai alterando e na forma como as propostas bianualmente se vão adaptando a realidades distintas. No entanto a realidade do planeamento das cidades é outra, mais delicada, menos efémera, pois há uma necessidade maior de concilio com as pré-existências, e com o dia-a-dia das pessoas que sentem as intervenções.  

 

Melhor planeamento urbano repercute-se na maior qualidade de vida das pessoas, parece-me obvio, por isso esse planeamento deveria sempre servir como uma garantia para tal, e não como uma ferramenta de apoio a alguns interesses imobiliários e especulativos, obtida por uma série de politicas espontâneas, às vezes pouco cuidadas, e desviadas no tempo,  pois deste modo não conseguiremos atingir o objectivo de proporcionar qualidade de vida a todos os habitantes.

 

O planeamento urbano tradicional, urge por mudança pois não é eficiente, precisa de ter impregnado nele a inovação , flexibilidade, estratégia,  daí que uma das ferramentas mais usuais aplicadas pelas câmaras municipais, os PDM´s, me pareçam desadequadas, sobretudo quando os resultados se mostram tão fracos, pois alem de não terem actualizações capazes de acompanhar as alterações rápidas de um mundo globalizado, não há nestas cartas, planeadas em três dimensões, (comprimento, largura e altura), uma quarta dimensão, a temporal que é tão importante como as outras, por isso quando se planeia, não abordam questões importantes como os fluxos de trânsito e de pessoas, a vida comercial, cultural e social dos centros urbanos, que devem apostar cada vez mais nos mistura de usos por zonas, de forma a não obrigar a mobilidade desmesurada, que hoje para vivermos, somos obrigados a recorrer. Ou seja planeiam centros urbanos sem vida dentro delas, como se de uma maqueta se tratasse.

O tradicional plano zonal, com as tradicionais zonas industriais, zonas habitacionais, zonas de escritórios, isoladas deve ser substituído por  um planeamento sustentável, recorrendo a uma mistura saudável de usos no mesmo espaço, promovendo interacção entre eles atribuindo-se assim vitalidade em todas as horas do dia. Por exemplo as áreas escolares devem ter também vida durante a noite, como apoio a associações, como lugares de cultura, sedes de juntas de freguesia, entre outros.  O comércio não deveria ter a mesma hora de fecho de verão e de inverno.  Praças que de dia deveriam estar preparada para um tipo de uso, deveria ter a capacidade de suportar outro durante a noite, com diferentes características.

Sei que é importante a aposta nos materiais ecológicos, reciclados, o recurso às energias verdes etc. mas, se o planeamento não promover a densidade dos centros urbanos, não seremos uma terra realmente verde, pois continuaremos a consumir  energia de forma pouco inteligente. A ocupação dos espaços durante varias horas, permite potenciar as suas valências, podendo-se com isso qualificar os espaços públicos dos nossos centros,  e poupamos  a natureza que as envolve. O futuro vai ser de fracas finanças, temos por isso de deixar o planeamento às vezes imperial para dar lugar ao planeamento inovador, criativo, inteligente e cada vez mais humano, os automóveis, esses devem ser secundarizados.

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